
Potencial de crescimento do mercado apícola brasileiro cria oportunidades para marcas próprias
Potencial de crescimento do mercado apícola brasileiro cria oportunidades para marcas próprias
O Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, é um momento importante para refletir sobre as transformações no comportamento de compra e as novas demandas do mercado. Em um cenário em que consumidores buscam cada vez mais produtos naturais, sustentáveis e com procedência clara, categorias ligadas ao bem-estar ganham espaço, entre elas, os produtos apícolas.
O Brasil é um dos grandes produtores de mel do mundo e possui uma biodiversidade única para o desenvolvimento de produtos apícolas. Ainda assim, o consumo interno desses produtos permanece baixo, um cenário que revela uma oportunidade relevante para empresas que desejam investir em linhas próprias de mel, própolis e outros derivados das abelhas.
A qualidade dos produtos apícolas brasileiros é amplamente reconhecida no mercado internacional, o que coloca o país entre os principais exportadores globais. Em 2025, por exemplo, o Brasil exportou cerca de 34.467 toneladas de mel puro, totalizando aproximadamente US$ 116.471.911,00, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL), o perfil do mercado brasileiro evidencia uma forte vocação exportadora: a cada 10 quilos de mel produzidos no país, cerca de 7 quilos são destinados ao mercado internacional. O dado reforça o reconhecimento da qualidade do mel brasileiro no exterior, mas também evidencia o espaço que ainda existe para expansão do consumo interno.
Esse reconhecimento também se estende a outros derivados de alto valor agregado. No mesmo período, o país exportou cerca de 63.197 kg de extrato de própolis, totalizando aproximadamente US$ 9.238.340,00, evidenciando o interesse de mercados internacionais por ingredientes naturais com propriedades funcionais.
Apesar desse desempenho no comércio exterior, o consumo interno ainda é limitado. O brasileiro consome, em média, cerca de 60 gramas de mel por pessoa por ano, o equivalente a aproximadamente um quarto da média mundial. Para especialistas do setor, esse dado evidencia que existe um grande potencial de expansão do mercado doméstico, especialmente por meio de produtos que agreguem valor, como mel orgânico, mel monofloral e derivados apícolas como a própolis.
Esses produtos têm despertado interesse crescente em segmentos ligados à saúde, bem-estar e alimentação natural, além de canais especializados e mercados que valorizam origem, qualidade e diferenciação.
Consumidor mais estratégico e mercado de produtos naturais
Ao mesmo tempo em que o setor apícola apresenta potencial de crescimento interno, o perfil do consumidor brasileiro também vem passando por mudanças importantes. De acordo com análise publicada pela Agrimídia, baseada no relatório O Consumidor Brasileiro em 2025, elaborado pela MiQ, o público está cada vez mais estratégico nas decisões de compra, emocional na relação com marcas e altamente conectado ao ambiente digital.
Hoje, o consumidor pesquisa, compara preços, acompanha avaliações e interage com marcas antes de efetivar uma compra. Mais do que preço, fatores como valor agregado, propósito da marca, transparência e experiência de consumo passaram a influenciar fortemente as decisões.
Esse novo comportamento favorece categorias associadas a produtos naturais, sustentáveis e com procedência clara, características diretamente relacionadas ao universo dos produtos apícolas.
Outro fator que fortalece esse cenário é a própria biodiversidade brasileira. O país abriga centenas de espécies de abelhas nativas sem ferrão, utilizadas na meliponicultura, atividade que produz méis, própolis e derivados com características sensoriais únicas e alto valor agregado, como é o caso da própolis verde, do Centro-Oeste de Minas. Além disso, tanto a apicultura quanto a meliponicultura desempenham papel essencial na polinização e manutenção da biodiversidade, contribuindo para a sustentabilidade de ecossistemas agrícolas e naturais.
Diante desse cenário, de baixo consumo interno, alto potencial produtivo e mudança no comportamento do consumidor, cresce o espaço para que empresas invistam em marcas próprias de produtos apícolas, ampliando portfólios com itens naturais, funcionais e alinhados às novas demandas do mercado.
Para Cezar Ramos Junior, CEO da Bee Propolis Brasil, esse movimento representa uma oportunidade estratégica para empresas que buscam inovação e diferenciação.
“O Brasil tem uma das maiores biodiversidades do mundo e uma cadeia apícola com enorme potencial. Ao mesmo tempo, vemos um consumidor cada vez mais interessado em produtos naturais e com origem confiável. Isso cria um ambiente muito favorável para empresas que desejam desenvolver suas próprias marcas de produtos apícolas e atender a essa demanda crescente por saúde, qualidade e sustentabilidade”, afirma.
Para Fernando Ramos, CFO da Bee Propolis Brasil, o cenário também revela uma oportunidade importante de crescimento para empresas que desejam ampliar sua presença no mercado de produtos naturais.
“Quando observamos os dados de exportação e o baixo consumo interno, percebemos um grande espaço para expansão do mercado brasileiro. Empresas que investirem em inovação, diferenciação e produtos com alto valor agregado têm uma oportunidade real de crescimento nesse segmento”, destaca.
À medida que o consumidor brasileiro amadurece e passa a valorizar cada vez mais ingredientes naturais, procedência e transparência, produtos como mel, própolis e outros derivados das abelhas tendem a ganhar mais espaço no mercado nacional — abrindo caminho para novas marcas, novos produtos e novas estratégias de posicionamento.
Fontes
Confederação Brasileira de Apicultura e Meliponicultura (CBA) – dados sobre produção, consumo e perspectivas do setor apícola brasileiro.
Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (ABEMEL) – dados sobre exportações e perfil do mercado apícola brasileiro.
Agrimídia – análise sobre comportamento do consumidor com base no relatório O Consumidor Brasileiro em 2025, da MiQ.
Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – dados de exportação de mel e extrato de própolis.
